Páscoa 2020 – Alegria

Este é o dia novo. Sei-o pelo desejo

De o transformar. Este é o dia transformado

Pelo modo como apoio este dia no chão.

Coloco-o na posição humilde dos meus joelhos na terra

Abro-o com os olhos que retiro de todas as coisas quando os fixo

Na atenção”.

Daniel Faria

Passámos pela grande noite em que “o Céu se uniu à Terra e o homem se encontrou com Deus” (do Precónio Pascal) chegando ao primeiro dia da semana com os corações exultantes de alegria porque Cristo Ressuscitou, Cristo VIVE.

No evangelho deste domingo os discípulos, de portas fechadas pelo medo, apenas se alegraram quando Jesus apareceu no meio deles. As portas fechadas são sinal de medo, desconfiança e tristeza, mas Jesus quebra esses muros, Ele é o único capaz de ultrapassar as barreiras que os nossos corações constroem, para nos trazer a alegria e a paz.

Um dos perigos de hoje é cairmos precisamente nesta tristeza e desânimo, que provêm de olharmos demasiado para nós próprios e para as nossas necessidades. Vivermos assim, é vivermos submetidos à lógica deste mundo, enquanto que o convite de Jesus é vivermos na órbita de Deus e na sua lógica. Cristo ressuscitado renova com a sua vida, a nossa vida.

É interessante perceber que no evangelho deste domingo a paz e a alegria estão unidas, complementam-se, os discípulos alegram-se porque a paz lhes chegou de novo ao coração.

A Paz e a alegria do Senhor não são algo que simplesmente nos aquece o coração, nem são coisas extáticas, mas são um grito a não fecharmos as portas. São um grito que nos pergunta se vivemos como homens e mulheres de Deus ou como “sepulcros fechados, com cara de vinagre” (Papa Francisco). São um grito do próprio Jesus a dizer que não está morto, mas VIVO! Vivo dentro de nós.

A alegria que brota de um coração marcado pela ressurreição faz reconhecer “o dia novo” – o dia em que nos encontrámos com Deus e, por isso, queremos e desejamos transformar a realidade em que vivemos. Um cristão vive alegre no seu Senhor: “alegrai-vos sempre no Senhor, de novo vos digo: alegrai-vos” (Flp 4, 4).

Talvez seja a hora de deixarmos de ver Deus como alguém longínquo, talvez seja a hora dos nossos corações entrarem na alegria e na paz do Senhor pois:

 

“Ele disse:
«lava a tua casa retira os móveis todos
aí quero dançar»

 

assim o Senhor dança nos salões vazios:
semelhante a um turíbulo
espalha o seu perfume

(…)

enquanto o Senhor dança o meu coração exulta:
que Deus este que não para
de se mover por mim!”

Carlos Poças Falcão

TEMA: Alegria

Ir. Sophie

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