Quaresma 2020 – Humildade

A palavra humildade tem a sua raiz no termo latino ‘humus’, que significa ‘terra’, ‘chão’, ‘algo baixo ou inferior’.

Mas, qual é o significado espiritual desta palavra? Mais importante ainda: que nos propõe Jesus, ao convidar-nos a ser humildes?

Muitas vezes, de forma errada, a humildade é vista como ter uma baixa autoestima e viver como uma pessoa cheia de complexos; ou ainda, andar cabisbaixo, com uma aparência de ‘santinho’, que a tudo e a todos diz que sim, dando sempre a razão aos outros.

Esta caraterização, que podia ser ainda mais longa, nada tem a ver com a humildade que Deus nos propõe.

Santa Teresa de Ávila, a grande santa reformadora da vida carmelita, viveu uma vida de oração profundíssima, ao ponto de ser considerada uma das mestras da mística. Ao mesmo tempo, foi uma mulher altamente empreendedora, que percorreu a Espanha inteira do séc. XVI a fundar e a visitar novos carmelos, com uma dedicação e empenho ímpares. Provavelmente a partir da sua própria experiência de vida, ela diz-nos que “a humildade é andar em verdade”.

Esta frase é breve, mas tem um conteúdo enorme.

Andar na verdade significa reconhecer as nossas limitações e imperfeições; ou seja, ser conscientes da contingência da existência humana, como vamos experimentando num modo tão forte nestes dias, mas também das próprias fragilidades, dificuldades e limites. No fundo, ser conscientes que somos ‘pó da terra’, como nos recordava a liturgia da quarta-feira de cinzas, com que iniciámos esta quaresma. De facto, o ser humano, por mais que se julgue super-capaz e quase todo-poderoso, é fraco; cada um de nós, por mais que queira disfarçar, é fraco…

Por isso, na passada sexta-feira, o Papa Francisco, numa oração em que era visível que carregava sobre si o sofrimento da humanidade, dizia que a situação atual fez cair muitas das nossas máscaras. Sim, temos que reconhecer, que muitas vezes, gastamos os nossos esforços e energias a tentar tapar ou esconder a nossa fragilidade…

Humildade é andar na verdade: sem máscaras, livres, reconhecendo o que há de bom e de menos bom em nós, sem presunções ou altivezes…

Se o andar na verdade significa reconhecer a nossa verdade, também significa reconhecer a verdade de Deus sobre nós. Ou seja, ser conscientes de quem somos para Deus, de como Ele nos vê e trata. Para Ele, somos sempre Seus filhos amados, com uma dignidade que nada nem ninguém nos pode tirar. Ele olha para nós, com um olhar de ternura, mas também de esperança, como quem vê o grandes que podemos ser com a Sua ajuda.

Andar na verdade é reconhecer que somo pó ou cinza, mas um pó e uma cinza muito amada por Deus!

Por isso, Ele nos diz que quem se humilha será enaltecido: quem se reconhece miséria, mas se abre ao Seu olhar de misericórdia, experimenta a verdadeira liberdade interior e a força imparável do Evangelho que o capacita para ser construtor de uma nova humanidade!

TEMA: Humildade

Pe Gonçalo Diniz

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